SAÚDE

Implicações do novo mundo

12/04/2018 17:00




*Raquel Rodrigues Marques de Sousa - Psicóloga e Coach - CRP 04/23796

Para mais informações e agenda: (31) 9 9567-5969  * coachraquelmarques@gmail.com

Aconteceu o fim de um mundo, conforme nos relata o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido em janeiro do ano passado com uma genial memória aos 91 anos, através dos seus mais de quarenta livros sobre a transição de um mundo sólido para um mundo líquido.

Os que têm mais de cinquenta anos foram criados com certezas absolutas, em um mundo de bordas, de definições muito claras.

O mundo líquido ou pós-moderno é um mundo sem forma: o mundo de uma sociedade conectada, permanentemente ligada a computadores, celulares, tablets e que desconhece a noção de individualidade e intimidade. Um mundo em que somos nós mesmos os autores do crime de violação de privacidade, através da troca de mensagens que comunicam tudo o que se vê e, desta forma, não se vive mais internamente e onde o aqui e agora não juntam mais corpo e alma, consciência e presença.

A liquidez do mundo - aquele que se desmancha no ar - atingiu, em particular, valores, porque a circunscrição moral deixou de ter utilidade, diluindo assim o conceito de autoridade e introduzindo o de opinião, ou seja, posso concordar ou não com tal fato e/ou situação e está tudo bem, pois é legítimo que assim seja.

Bauman fala, portanto, de um mundo em que não temos mais certezas de como educar os filhos, pois não se pode traumatizar ninguém. Um mundo em que todos, de antemão, são bons.

Nesta realidade, também somos muito individualistas, ninguém ouve ninguém, pois estamos sempre falando de nós mesmos. Além disso, estamos obrigados à felicidade - medida pelo termômetro das aquisições pessoais e materiais - para divulgarmos nas redes sociais. Caso assim não se sinta (feliz), há remédios para isso. A crise, que antes nos alavancava para o próximo e superior nível existencial, hoje é vista como um defeito.

Por fim, neste novo mundo, sem dúvida alguma, conquistamos mais liberdade, mais possibilidades de escolhas, e dissolveram-se as fronteiras de tratamento, de idade, de gênero, contudo, em contrapartida, houve um relativismo, uma fluidez de valores, incertezas e, consequentemente, um enorme vazio existencial, pois as transformações acontecem de forma tão rápida que perdemos a referência e tornamo-nos vulneráveis demais.

Não é o fim do mundo (longe disso), mas, uma vez que não nascemos éticos, falta dizermos, sem receio algum e com muita firmeza, o que deve e o que não deve ser feito nesta vida.







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