SAÚDE

Manifestantes e vereadores cobram transparência nas contas do HNSD

11/08/2017 15:00




A sessão da Câmara de Ponte Nova, na noite dessa quinta-feira (10/8), foi marcada pela presença de cerca de 35 manifestantes empenhados na campanha contra o fechamento da  UTI Neonatal/UTIN e da Maternidade do Hospital de Nossa Senhora das Dores/HNSD. Na Tribuna Livre do Legislativo, discursaram Diana Aguiar e Raniely Saraiva.

O grupo caminhou desde a praça Getúlio Vargas, diante da sede da Prefeitura, com faixa e cartazes e promovendo apitaço. Fernanda Heloísa (na 2ª foto), grávida de 8 meses, aderiu “com o coração aflito, pois, se a Maternidade fechar, não sei o que fazer, pois não tenho dinheiro para pagar particular ou cesárea”. Na ponte da Barrinha, o grupo obteve solidariedade do prefeito Wagner Mol/PSB (leia neste site ainda nesta sexta, 11/8).

Num emocionado discurso, Diana - que deu à luz no HNSD à sua filha prematura (esta ficou internada na UTIN) - enfatizou “o caráter humanístico da nossa causa. A Constituição do nosso país fala que todos temos direito à vida, mas, se o fechamento acontecer, estaremos restringindo o direito à vida de milhares de cidadãos que ainda nem chegaram ao mundo”.

“A situação do Hospital não se resume apenas a cálculo financeiro, mas sim a falta de humanidade, de compaixão. Não podemos aceitar que o dinheiro seja maior que a vida”, protestou Diana. Ela elogiou a equipe do atendimento hospitalar materno-infantil e provocou:

“Teremos que esperar as eleições chegarem para surgirem, como milagre, os recursos que estão faltando? Com papel e caneta na mão, até uma dona de casa consegue avaliar o que deve ser economizado, então, como a gestão do Hospital deixou chegar a este ponto? Precisamos sim de dinheiro, mas principalmente precisamos de empenho e boa vontade. Sejamos humanos e respeitemos a vida, pois o maior prejuízo é a morte.”

De sua parte, Raniely (cujo neto, na época com 15 dias, sobreviveu a uma pneumonia após internação na UTIN) repetiu os agradecimentos, mas atacou. Segundo ele, "o dinheiro destinado ao Hospital foi gasto de forma imprudente em alguns momentos, a exemplo de suposta obra na Oncologia, que teria sido refeita três vezes. A verba poderia ter sido revertida para a Maternidade".

“Nosso dinheiro não é capim! Ser gestor implica muitas responsabilidades. Além disto, tem médico lá dentro que acha que o Hospital é consultório particular. Espero que tudo seja apurado e sejam punidos os culpados e, acima de tudo, a gente se lembre dessa situação em ano de eleição, quando deputados vierem buscar votos”, arrematou Raniely.

Ao final, os vereadores se posicionaram contra a desativação dos serviços. Carlos Montanha/PMDB presidiu a sessão e mencionou a formação de Comissão da Câmara “para cuidar da situação e buscar a realidade do que está acontecendo”.

Rubinho Tavares/PSDB foi enfático, mas não citou nomes: “Quem estava administrando o Hospital estava levando ele pro buraco. Deixaram a bomba estourar para depois jogar nas costas no povo. Novamente não veio nenhum funcionário do Hospital aqui hoje. O que precisa ser feito é mostrar para o povo aqueles que estão ficando ricos nas costas do Hospital da cidade.”

O discurso foi reiterado por André Pessata/PSC, para quem “deixar chegar a este ponto é má gestão”. Aninha de Fizica/PSB citou possível apoio do deputado estadual Thiago Cota/PMDB, que prometeu visita ao Hospital ao lado do secretário/MG de Saúde [Sávio Souza Cruz]. Para ela, “buscar culpados agora não adianta. O que devemos fazer é lutar para que as unidades não fechem”.

Já Machadinho/PT do B se declarou indignado, pois, a seu ver, na reunião que ocorreu no Hospital, “pareciam estar falando sobre o fechamento de um buteco ou oficina e não de um local que salva vidas. Faço apelo para que os médicos pensem no que disseram no seu juramento [de formatura]. Concordo que, se há culpado, deve pagar, e peço que o povo continue lutando, pois, quando os bons resultados vierem, vocês irão lembrar-se que lutaram para isto”.

Para Sérgio Ferrugem/PR, “falta transparência no Hospital, que deveria ter um portal com prestação de contas”. Tal sugestão foi apoiada por Hermano Luís/PT, frisando que o dinheiro que mantém o HNSD “advém de doações da população e de outros meios públicos”. No entender dele, “o problema é nosso sim, mas tem algo da própria entidade, que precisa ser mais bem esclarecido para a população”.

“Quero gestores na cadeia! Quebrou o Hospital, tem que ser punido!” Estas foram as exclamações de Chico Fanica/Rede, recebida com aplausos pelo público presente. Já Zé Osório/PT do B classificou de “terrorismo” o anúncio do fechamento e insistiu na transparência das contas do Hospital.

“Tem que prestar contas sim. É tudo muito estranho, pois os recursos chegam e, mesmo assim, as dívidas se acumularam até a chegar neste ponto. A Comissão da Câmara será feita, e estaremos engajados nesta luta”, afirmou Osório.

Fiota/PEN se solidarizou com os manifestantes “na luta para impedir que o pior aconteça. Não tenho medo de nada. Tenho uma filha com microcefalia de 22 anos, estou acostumada a lutar”. Sobre o número reduzido de manifestantes, ela comentou: “O importante é a qualidade, não a quantidade!”

Montanha finalizou a sessão também cobrando transparência nas finanças do HNSD e deixando no ar uma interrogação: “Foi falado de setores que lucram no Hospital, mas onde está este lucro?”

Nota da Redação - Esta FOLHA encaminhou resumo dessas declarações à Direção do HNSD  e aguarda eventuais explicações.

 







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